sábado, 12 de março de 2016

Alice Caymmi| O que aprendi com Alice Caymmi


Depois de 2 longos anos, que mais poderiam ser chamados de décadas, o blog voltou. A ausência foi um misto de falta de tempo, falta de coragem e falta de vergonha na cara. Hora de deixar para trás o peso das mãos e colocar a cara no SOL!!!

Em dois anos, eu poderia dizer que, acabei por andar mais alguns quarteirões como meu salto Vivienne Westwood. Com a roda viva girando intensamente, muitas canções me acompanharam e ei de precisar de algumas dezenas de postagens para atualizar esse eterno diário musical dos embalos de uma vida toda. Se é para recomeçar e desenferrujar lacrando, escolhi a mais diva das divas da atual fase da minha vida: Alice Caymmi, Rainha dos raios e de tudo que há de mais transcendental.

A primeira vez que ouvi Alice foi há 3 anos, em seu trabalho de estreia o álbum Alice Caymmi. Mas o tempo passou, e com a apresentação fodástica no palco Sunset, durante o Rock In Rio, eu entrei em uma mistura de transe e surto. Não chorei, só tremia. E foi assim que conheci o Rainha dos Raios. Caymmi entrou de cabeça, corpo e alma nesse projeto, e isso é tão sensível que não há parâmetros entre esse trabalho e o álbum de estreia, assim como uma mãe não pode escolher o favorito entre os filhos.

A verdade seja dita, eu desenfreei. Entrei em um relacionamento serio com a Rainha e sua sonoridade. A estética, os arranjos, a produção e tudo que parece rodear o Rainha dos Raios e a própria Alice nesse trabalho parecem ser tão intrínsecos que me faz pensar que se algo fosse diferente não daria certo. O álbum parece ter sido trabalhado todo na entrega de uma artista, única e ao mesmo tempo que faz lembrar a Gal... AQUELA Gal Costa dos anos 70.

Em Dezembro passado, o nível de significado desse álbum tomou outra dimensão na minha vida. Meu pai Tiago -DEUSO SUPREMO e REI DAS GALÁXIAS- estava curioso sobre o que eu andava ouvindo, e listei minha playlist e disse que ele tinha que ouvir o Rainha. Mesmo que na minha frente fizesse aquela cara de enjoo, que só ele poderia fazer, eu tinha a certeza absoluta que ele ouviria. No outro dia estava lá, ele com o fone de ouvido plugado no computador e me dizendo “Eu não consigo parar de escutar essa música! ”.

A música em questão era Iansã. Uma obra prima de Gil e Caetano, especialmente feita para a própria filha de Oya, Maria Bethânia. Mas a versão interpretada por Alice leva essa canção a níveis muito mais sérios do que é sentir a música. Com um arranjo que nem  um psicodélico setentista poderia por defeito e todo trabalhado nos sintetizadores, eu posso apenas chorar aqui e agora enquanto ouço e escrevo sobre. Janeiro viria, e junto traria a certeza que essa canção jamais poderia ser esquecida por mim.

Assim como a interpretação e o arranjo da Caymmi para essa canção, meu pai se eternizou. Se equilibrou com a natureza. Sua passagem me fez refletir sobre o peso desse refrão:
Senhora das chuvas de junho
Senhora de tudo dentro de mim
Rainha dos raios, rainha dos raios
Rainha dos raios, tempo bom, tempo ruim
Eu sou o céu para as tuas tempestades

A verdade é que essa é a vida, estamos sempre em busca do equilíbrio, ou como diria D2, a procura da batida perfeita. O que não contamos é que esse equilíbrio só existe na morte, quando infalivelmente equilibramos com o universo. Mas já que aqui estamos, vivos, tudo que podemos esperar da vida são tempos bons e tempos ruins. Lagrimas e Sorrisos.... Abraços e despedidas. E se quisermos aproveitar, esse bilhete único chamado vida, temos que nos jogar e tornarmos um só com aquilo que projetamos, queremos e amamos.

Para o maior gênio que pisou na Terra, meu herói e meu pai. Tiago De Melo Gomes.


3 comentários:

Pandora disse...

Então você bloga Alice! E que texto bonito de se ler, faz ter vontade de correr atrás do som da Caymmi. Um professor meu é louco pela Betânia e graças a ele ouvi ela cantado Iansã e a força da interpretação misturada a poesia da letra me causou arrepios então...

Ah, acho tão cansativo esse exercício diário que é viver, mas depois que superamos a parte mais difícil, acordar e levantar da cama, as outras coisas são para ser feitas com gosto e força. A Morte é um destino comum a todos nós, o caminho é uma escolha.

Parabéns pelo texto, escreva mais...

Cheros.

Jéssica Ferreira disse...

Emocionada aqui! Obrigada! Beijos!

Joana D'Arc Lacerda disse...

Sugiro que ouça isso (https://www.youtube.com/watch?v=znba9GTyFDw)

Postar um comentário